quarta-feira, 5 de setembro de 2007

31 de agosto: Língua de Artista – Discussão sobre o Belo, o Plástico e o Visual


Sexta-feira, 18 horas. E lá fomos, eu e a Camila ao shopping Moinhos para mais um evento ligado à Bienal B, atrás de mais informações. Chegamos na praça de alimentação e vimos que tinha um palquinho montado onde já davam início ao papo três artistas plásticos, sendo uma delas professora do Instituto de Artes (IA). A discussão partiu do tema do Língua de Artista. Comentou-se sobre a formação do artista, que antes se chamava Belas Artes (visto que envolvia arte como um todo, inclusive artes cênicas), depois Artes Plásticas (a artista precisa do material, de algo plástico para a realização de suas obras) e por fim, Artes Visuais (a internet, o vídeo, a virtualidade permitem ao artista se expressar de outra maneira que não seja unicamente o material plástico).

Olhei para os lados na busca de ver quais eram os interessados nesse papo tão peculiar. Vi que se tratavam, na sua maioria, de pessoas que vão expor na Bienal B. Após essa breve introdução, as pessoas poderiam intervir com perguntas. Um dos artistas plásticos (que confesso, agora não lembro o nome!) que estava no palquinho contou do seu trabalho. Ele desenha com enceradeiras, porque ele partiu da idéia que as enceradeiras existem para tirar as marcas do chão de um determinado lugar e o que ele deseja é justamente o contrário.

Perguntas foram sendo feitas até que se chegou num tema polêmico: o belo é subjetivo, mas as pessoas compram aquilo que não é belo de uma forma geral? A maioria das pessoas se manifestou, mas ao meu ver a pergunta não foi respondida.

O Língua de Artista foi chegando ao fim com os ouvintes tomando uma cerveja, comendo um lanche, puxando papo uns com os outros. E lá fomos, eu e Camila, fazer o mesmo.


PAPO ARTE 18/08

O primeiro papo arte começou com um pouco de improvisação dado que era o primeiro de muitos que irão ocorrer durante os meses de realização do evento. O tema do primeiro encontro foi a Arte Coletiva, onde quatro grupos debateram como é construir a arte de forma coletiva.
O primeiro grupo a apresentar suas experiências foi o projeto "Os Transvestidos" que falou sobre as dificuldade enfrentadas pelos artistas plásticos, visto que estão acostumados a trabalhar individualmente, ao se reunirem para a construção de um projeto coletivo. A artista, representante do grupo, enfatiza a importância de planejar a seqüência do projeto, para que se dê continuidade e possa levar o projeto para outros lugares para que o esforço demandado na construção dessas obras coletivas não seja subaproveitado.
O segundo grupo foi o 3X4, apresentando seu o Projeto “3X4 Visita”, sendo um grupo formado por artistas plásticos que se conhecerem na década de 80 no IA da UFRGS e que possuem uma admiração e respeito mútuo pelos trabalhos uns dos outros. Esse projeto teve seu início em 2005 quando o grupo proveu uma exposição na Casa de Cultura Mário Quintana dos quatro artistas. Após um ano sem atividades o grupo reuniu-se novamente para promover uma série de visitas a Ateliês de outros artistas e promover nesses locais exposições de obras realizadas de acordo com o espaço visitado. O grupo já visitou dois ateliês: no ano de 2007. O projeto pretende no final das visitas realizar um livro que conta as histórias das visitas.
O terceiro a apresentar suas experiências em fazer arte coletivamente foi o Grupo A flecha, formado de artistas plásticos que trabalham exclusivamente com a gravura. Esse grupo reuni-se uma vez por semana para realizar as atividades do grupo. Cylene, a representante do grupo, apresentou as características do grupo como essencialmente pragmático e organizado, onde cada um tem suas funções bem definidas. Falou da falta de habilidade do artista para a comercialização que gere rentabilidade do trabalho. O projeto apresentado pelo grupo no papo foi o realizado para o evento “Essa POA é boa” que se realiza concomitantemente com a Bienal B, onde o grupo formado por 12 artistas convidou mais de 50 artistas que também trabalham com gravura para construir no Shopping DC um projeto coletivo que irá ser mostrado durante a realização do evento.
O Ultimo grupo foi o Grupo Grão que é composto por alunas do IA que realizaram durante o ano de 2005 uma pichação fotográfica durante a realização do Fórum Social Mundial em Porto Alegre. As integrantes caracterizam o grupo como uma organização orgânica que não tem número definido de membros, não tem regras para estabelecer a entrada e a saída desses membros. As articulações iniciaram dentro do IA, com a finalidade de formar um grupo que quisesse discutir a fotografia, sendo que toda a cominicação do grupo foi realizada através de e-mails. O grupo está voltando as atividades este ano em função da Bienal B, na qual um dos integrantes escreveu o grupo para participar, eles estarão realizando durante o evento
Percebe-se que na realização do Papo Arte, todas as pessoas que participaram da discussão eram artistas que estavam diretamente ligados ao evento. O espaço em que se dá o evento é um bar localizado na Cidade Baixa, local de tradicional concentração de bares da cidade, a entrada é livre e os participantes consomem produtos durante a realização do Papo.